Inspirado na sensação de olhar para o teto branco enquanto pensamos em desejos e projetos, o Janeiro Branco é uma campanha liderada por psicólogos e psiquiatras brasileiros para envolver a sociedade em uma discussão sobre a saúde mental. A campanha foi criada em 2014 pelo psicólogo mineiro Leonardo Abrahão em um momento no qual o Brasil apresentava altos índices de transtornos de ansiedade entre a sua população. Em razão disso, logo a iniciativa conquistou amplo apoio, se tornando um movimento coletivo e anual. O mês de janeiro foi escolhido porque a chegada de cada ano é, tradicionalmente, um período de reflexões e conclusões (positivas e negativas), planejamentos e metas.

O ano que passou foi atípico e, certamente, terá reflexos na saúde mental da população mundial. Marcado pela pandemia, 2020 trouxe mudanças na rotina da população impostas pelo isolamento social, que promoveu o distanciamento de amigos e parentes. A harmonia familiar foi amplamente testada e colocada em debate. Profissionais tiveram que se adequar a um novo modelo de trabalho em casa. Pais e mães passaram a estreitar o relacionamento com filhos sem aulas presenciais. Tudo isso, somado ao medo do contágio e da morte, à incerteza da empregabilidade e ao luto vivido por quem perdeu um ente querido para a Covid-19, completam um cenário desafiador para a mente humana, com ingredientes propícios para o sofrimento psicológico.

As turbulências emocionais do cenário pandêmico devem gerar impactos na saúde mental da população, que já é preocupante. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e o quinto mais depressivo.

Em tempos de pandemia, o Janeiro Branco tem importância ainda maior no processo de conscientização sobre as doenças psicológicas.

Para o Instituto Solidário e a Direção do Complexo Estadual de Saúde da Penha, é essencial buscar ajuda profissional quando apresentar sintomas físicos que impactem o cotidiano, como sensações de angústia, sentimentos de não pertencimento, dificuldades para se relacionar, desinteresse pelas atividades cotidianas, cansaço extremo, desânimo recorrente, preocupação exagerada com tudo e pensamentos que não saem da cabeça sobre desastres ou morte. O diagnóstico precoce dessas condições garante um tratamento mais tranquilo e eficaz.

Quem cuida da mente, cuida da vida!